
O júri desta edição, constituído por Francesca Claire Rayner, Sara Carinhas e Sandro William Junqueira, atribuiu o Prémio a Lara Duarte com a obra Cry Baby From Hell, destacando “a força, originalidade e domínio da sua escrita dramática”. Sobre a obra, o júri salienta ainda o modo como a autora constrói uma linguagem própria, recorrendo ao excesso, à violência e ao humor como ferramentas de uma crítica social “afiada”, numa peça que é simultaneamente “gore, feroz, mordaz e profundamente divertida”.
SOBRE A VENCEDORA
Lara Duarte é Dramaturga, diretora, atriz e pesquisadora. Integrante da Cia Carniceira. Doutoranda e mestra em Artes da Cena pela UNICAMP. Atualmente desenvolve a pesquisa “Como fazer monstros com as palavras?” É bacharela em Artes Cênicas pela UFBA, formada em Dramaturgia pela SP Escola de Teatro e autora do livro Gambiarras Sentimentais (Editora Patuá). Desde 2018 desenvolve uma parceria continuada com a diretora Janaína Leite, atuando como dramaturgista e assistente de direção em obras como Stabat Mater, vencedora do Prêmio Shell de Dramaturgia, além de História do Olho, Camming – 101 Noites, Deeper. Diretora e dramaturga da peça Zona de Sacrifício que estreou no Quai de Scene em Estrasburgo-FR. Diretora da peça Azimute, criada em contexto estudantil e universitário. Dramaturga da peça Reset América Latina do coletivo Estopô Balaio. Performer, dramaturga e diretora de Pânico Vaginal que foi premiado na semana paulistana do Curtametragem e na mostra CRASH de Cinema Fantástico.
Criado para reconhecer, valorizar e incentivar a criação dramatúrgica de autoria feminina em língua portuguesa, o Prémio Nova Dramaturgia de Autoria Feminina distingue, anualmente, uma obra inédita. O prémio destina-se a autoras com ou sem obra publicada ou apresentada publicamente, promovendo o surgimento de novas vozes e contribuindo para a diversidade da escrita teatral contemporânea.
Entre 1 de janeiro e 31 de março, recebemos 178 candidaturas à 6.ª edição do prémio — o maior número de participações registado até hoje. Perante uma edição particularmente competitiva, o júri selecionou três obras finalistas:
Constança Bourgard, com Amor de Mãe
Lara Duarte, com Cry Baby From Hell
Raquel Castro de Souza, com Sol na Cabeça
Clique nos links acima para conhecer melhor as autoras e as respetivas obras.
A seleção foi seguida, entre junho e agosto, por um processo de mentoria individual com os elementos do júri. Ao longo deste acompanhamento, as três autoras tiveram oportunidade de trabalhar os seus textos, aprofundando propostas, experimentando novas possibilidades e desenvolvendo as obras a partir do diálogo com os diferentes elementos do júri.
A escolha das três finalistas foi consensual e resultou da apreciação da qualidade das propostas apresentadas, da singularidade das suas linguagens e da relevância das questões que cada uma das obras coloca.
Para além da atribuição do Prémio, o júri decidiu atribuir Menções Honrosas às obras Amor de Mãe, de Constança Bourgard, e Sol na Cabeça, de Raquel Castro de Souza, reconhecendo a qualidade das propostas dramatúrgicas e a singularidade dos percursos de escrita apresentados.
Como vencedora da 6.ª edição, Lara Duarte recebe um prémio de 1.000€. Cry Baby From Hell será publicado em livro pela Companhia Cepa Torta, em parceria com a Douda Correria, e terá apresentação pública integrada na programação da 10.ª temporada do Festim Esta Noite Grita-se.
A leitura em estreia da obra vencedora terá lugar no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, nos dias 28 e 29 de novembro. A entrega do Prémio à autora decorrerá no primeiro dia. No final da leitura, haverá ainda uma conversa com a vencedora, os elementos do júri e o público, criando um espaço de encontro em torno da obra e do processo que esteve na sua origem.
A edição anterior ficou marcada pela atribuição do Prémio a Sabrina Marthendal, pela obra Pedral, com cerimónia de entrega, lançamento do livro e leitura pública realizados na Fundação Calouste Gulbenkian, em dezembro de 2025.
Ao longo dos últimos anos, o Prémio distinguiu ainda autoras como Luz Ribeiro (Lacuna, 2024), Sofia Perpétua (Tanque, 2023), Maria Giulia Pinheiro (Isso não é relevante, 2022) e Lara Mesquita (Sempre que acordo, 2021).
Conheça o nosso Júri
Nesta 6ª edição do Prémio Nova Dramaturgia de Autoria Feminina, contamos novamente com um painel de jurados de excelência, composto por profissionais de destaque na área da dramaturgia. Descubra mais sobre cada um deles explorando as suas biografias!
Alguns dados relevantes
De acordo com o International Centre for Women Playwrights, ONG que se dedica ao estímulo do trabalho das mulheres dramaturgas, 70% das peças produzidas anualmente no mundo são de autoria masculina. Na edição de obras o número ainda desce mais - em Portugal estimamos que menos de 15% dos textos editados são de mulheres. Este panorama em nada favorece a diversidade e a riqueza da produção artística, impedindo a inovação trazida pelo olhar feminino de criadoras que, sem um estímulo adequado, continuam a estar arredadas dos circuitos necessários para a divulgação das suas obras. Na direção artística do Esta noite grita-se temos tido dificuldades em fazer um equilíbrio do género autoral porque as opções de escolha são muito reduzidas no que toca a dramaturgas. Somente através do estímulo à criação será possível mudar esta realidade e garantir que mais mulheres artistas arriscam e publicam os seus trabalhos.
Deixamos alguns links úteis para quem quiser aprofundar um pouco mais este tema:
https://www.womenarts.org/not-even/not-even-impact-of-playwrights-gender/
https://lafpi.com/the-facts/#10
https://www.womenplaywrights.org/The-Challenge
PERGUNTAS FREQUENTES
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